Arquitetura inusitada, sustentabilidade e valores sociais

No último post falamos de férias, viagens e cultura. Agora falamos de volta ao trabalho, escolas, arquitetura. Assuntos que tem entre si um laço cultural muito forte. Todos os povos tem seus modos característicos de viver, de se divertir, de trabalhar, estudar e de construir também. Quando surge algo novo, radicalmente diferente do que estamos acostumados, achamos estranho. Mas, como dissemos antes, faz bem abrir nossa mente para as novidades e experimentar para sabermos se é bom ou não.

A arquitetura de vez em quando faz isso com a gente. Já falamos aqui do Olho (Museu Oscar Niemeyer) e hoje vamos falar de algumas escolas inusitadas.

A primeira é uma construção projetada em 2016 para a cidade de Mazatlán na costa mexicana.

Alguém aí lembrou de uma igreja? Ou bancos de papelão recortados? As crianças devem amar estudar num lugar com um jeito tão lúdico, imagino eu. E tudo foi projetado tendo em vista as condições climáticas do local. Calor excessivo, muita umidade, maresia… Ufa! Estudar nessas condições… Então, várias aberturas para o ar e a luz entrar um pouco mais fluida. Pátios internos para garantir liberdade e privacidade para os alunos e professores. Materiais fortes que resistam a corrosão. Tijolos e cimento queimado imperam aqui.

Todas essas premissas, cuidados e singularidade do projeto combinam com o modo de ensinar montessoriano que é a pedagogia adotada pelo Colégio Maria Montessori Mazatlán. Diferente do método mais comum (dito tradicional), as crianças aprendem através de estímulos variados, movimento e experiências.  As salas de aulas propiciam essas dinâmicas. Olha só:

Essa outra foto abaixo é de uma escola primária na aldeia de Tanouan Ibi,  Mali, na Africa. E inova ao usar argila do próprio terreno para fazer os tijolos que constituem suas paredes. Respeitando o método construtivo do local, suas tradições, diminuindo os custos e viabilizando o projeto. Promovendo crianças e mulheres (que lá estudam quando a noite cai).

Observou o telhado? Um jeito muito diferente de escoar a água da chuva permitindo ao mesmo tempo iluminação natural e ventilação.

Em Cingapura o desafio excede a arquitetura. Mundialmente reconhecido como um modelo quando o assunto é ensino, o país teve que se debruçar sobre seu sistema educativo e promover mudanças. Todo mundo ouviu o ditado que diz que “não se deve mexer em time que está ganhando”? Mas para Lim Lai Cheng*  o ensino em Cingapura” não garante mais coesão social”.  A tão falada meritocracia estratificou a sociedade ao invés de promover a mobilidade social.  “As políticas estão se distanciando da obsessão nada saudável de pais e alunos por notas e vagas nas melhores escolas e enfatizando a valores e princípios. Escolas estão sendo encorajadas, especialmente as do ensino fundamental, a riscar do currículo exames padrões e focar no desenvolvimento integral da criança.”

Será que o novo prédio da Escola de Artes, Design e Mídia localizado no campus da Nanyang Technological University of Singapore, parte desse princípio?

Com seus telhados verdes para refrescar o interior, sua fachada envidraçada que permite a entrada de luz natural, sua preocupação com a sustentabilidade nos parece que sim.

E, para fechar nosso post, parece surreal ouvir isso porém nas palavras de Lim Lai Cheng o foco agora – do fundamental ao superior – é estimular “autoconsciência, autodireção e habilidades de vida dos alunos”.

Deixamos as reflexões com vocês.

Gostou? Assine nossa newsletter

*diretora-executiva da SMU Academy, na Universidade de Administração de Cingapura, ex-diretora da escola Raffles Institution e consultora do conselho do Winter’s International School Finder. Quer ler o post original sobre as opiniões de Lim Lai Cheng? Visite o site da BBC.